Vivendo o matrix no viver concreto



“Em sua volta, cada um sente perfeitamente que o álibi da modernidade serve para dobrar tudo sob o implacável viver de uma estéril uniformidade.”

No momento histórico em que vivemos, num contexto em que estamos rodeados pela modernidade, expressa de acordo com um modelo capitalista de produção, em todos os segmentos verificamos uma certa uniformidade ao estarmos inseridos num sistema perverso e implacável, porém essa tal uniformidade não é algo expresso no que diz respeito à distribuição de renda , na função social e no viver em uma sociedade onde a lógica concorrencial perversa tomou conta de quase todas as mentes, exceto aquelas mentes intelectuais que não se rendem àquilo que é aparente mas que nos primórdios não era a realidade, uma mentira-verdade num viver estéril e sem expectativas no viver.

Ora, quando afirmamos que “o homem vale o espaço que ocupa” estamos também afirmando a lógica do sistema capitalista e essa lógica nada mais é do que essências diferenciadas adquiridas em um viver. Desta forma, todos os homens nascem iguais, em um hospital, de parteiras ou outro meio qualquer, porém é o processo de trabalho em uma sociedade de classes, oportunidades e não-oportunidades que vem diferenciar os homens, isso explica o porque de alguns viverem excluídos e outros em bonanza pois para que exista um grupo deve também existir o outro já que em um mundo concorrencial e ganancioso a palavra divisão é algo totalmente utópico.

Assim, a modernidade se torna um instrumento dos capitalistas a fim de diminuir tempo, dobrar a produção e produzir a mais-valia e tem como álibi o trabalhador assalariado não proprietário dos meios de produção que se torna um instrumento ou um produto na produção, alguém que é espoliado e que produz a fim de que o proprietário enriqueça, assim, o homem tem vivido um viver irracional onde este não produz o seu próprio sustento mas o compra no mercado com a miséria recebida na relação de trabalho o que nos remete à uma era de artificialidade.

No mundo modernizado em que vivemos, na era da internet as coisas imateriais tem tomado lugar das coisas concretas, isso tudo dominado pelos mercados financeiros que que em muitos lugares detéem um poder econômico superior aos estados, com um motor propulsor chamado dinheiro o massacre racional sobre o irracional se desenha de forma categoricamente acentuada. Vivemos rodeados de propaganda pela grande mídia formadora de mentes consumistas que são sustentadas pelos grandes mercados financeiros, desta forma sempre instala-se um desejo do consumo, ainda que seja algo desnecessário, muitos passam fome a fim de ter um celular “da moda”, isso é só um exemplo do “irracional-massacrado-racionalmente.”

Assim, a simplicidade da vida e as culturas choram de agonia, tornando-se globalizadas de uma certa forma, porém perversamente massacrada no mundo concreto em que existimos, o existir de forma consciente e madura obedecendo a lógica do compasso onde pernas e coração andam juntos perde o sentido para dar lugar ao desespero de viver e de ter para ser nos moldes do capitalismo, isso tem gerado uma crise de identidade e uma série de conflitos e crises existenciais próprias de um ser artificializado, assim cria-se o homem artificializado que à cada dia arranha as superfícies sem poder mergulhar em seu interior, que vê tudo, que vive tudo mas não pode adquirir nada tornando a vida um verdadeiro matrix existencial sem a concretude de uma realidade sólida e onde possa se apoiar a fim de sobreviver de forma que seja o homem-homem e não o homem-etiqueta ou o homem virtual.

Esperando sempre dias melhores e o retorno àquilo que é bom,

Luciano Costa