"Liberdades-aprisionantes" e "democracias-anti-democráticas"



Ao ligar a TV ou ao entrar em algumas páginas da internet me sinto muitas vezes enojado ao verificar o discurso capitalista global dos países tidos como “liberais-democráticos” ao se referirem a outros a outros sistemas políticos quase escassos a nível mundial taxando-os sempre como fascistas, ditatoriais, etc... e afirmando que as grandes potências imperialistas tem uma missão de libertar o mundo.

Ora, o “libertar” para os “liberais-democráticos” tem causado grandes atrocidades pelo mundo, seja por implantar suas culturas e parafernálias tecnológicas de consumo ou pelo uso da força e de armas de destruição em massa a fim de “libertar” segundo os seus conceitos.

É lastimável que nesse mundo ainda existam pessoas manipuladas pela mídia capitalista e que achem que a existência se compara a um filme de ação, onde os “mocinhos ocidentais”, normalmente com estereotipo norte-americano precisam vencer os inimigos, normalmente de “olhos puxados”, latino-americanos e outros.

A palavra democracia só tem sentido realista se assim pronunciado: “DEMO- cracia”, infelizmente não consigo enxergar de outra forma.

Muitos devem estar achando esse pequeno texto muito radical ou como diziam em outros tempos “coisa de comunista”, mas acredito que através do que já foi escrito e nas linhas que seguem muitos entenderão o que quero dizer.

Como podemos chamar dizer que vivemos em uma sociedade livre e democrática se o maior exemplo de democracia citado pela grande mídia, falo das eleições, é por si um sinônimo de anti-democracia? Ora, normalmente quem ganha as eleições é quem tem um tempo maior na TV, regido pela legislação eleitoral, quanto maior for o partido e as coligações, maior será o tempo na mídia, assim, mais chances de ganhar o candidato terá. Quanto maior o investimento financeiro do candidato em carros de som, folhetos, força humana de trabalho durante a campanha eleitoral e nas bocas de urna, “showmissios”, etc... maior será a chance de ser eleito. O capital controla a administração pública e não ha liberdade de escolha dos representantes é o “voto de cabresto” do século XXI onde a grande mídia capitalista controla as grandes massas.

Em termos de sobrevivência, como podemos dizer que somos livres se só somos o que podemos ser? Ora, de acordo com determinadas posses eu posso comprar um imóvel em um lugar ou em outro, muitos nem tem direito a moradia que é um direito constitucional e precisam alugar um imóvel, outros nem isso podem e precisam morar debaixo de pontes e viadutos, alguns nem as pontes tem e morrem de frio pelas ruas.

E em termos de alimentos e outros recursos? Muitos vivem abastados e outros vivem aguardando as migalhas despejadas pelos caminhões de lixo nos lixões, ha também o meio termo pessoas que vivem de forma mais ou menos, nem tem e nem existe escassez total.

E a saúde? Muitos vivem em postos com enormes filas e sem médicos, aguardando as vezes anos em filas de espera dos sistemas públicos de saúde para fazer uma cirurgia, se conseguem já é um milagre. Não existe tratamento dentário, exames completos e nem insumos necessários para os devidos tratamentos, enquanto quem pode pagar um plano de saúde privado desfruta até mesmo de helicópteros para se locomover em caso de doença.

E a educação? Eu como educador em exercício atualmente tanto na rede privada quanto na rede pública posso dizer que muitos alunos vivem em condições sub-humanas não só em termos de ambiente escolar sem portas nos banheiros, merenda, sem muitas vezes cadeiras para assentar durante a alimentação e até mesmo para estudar, mas também oriundos da vivência diária e nas culturas locais, o que traz marcas psicológicas muitas vezes irreparáveis nos discentes.

Bom, esses são só alguns exemplos do que falo, os outros estão diante de você, é só imaginar a sociedade perversa de classes em que estamos inseridos.

Como podemos dizer que vivemos em uma sociedade democrática e livre se é o capital quem dita a vida das pessoas? Podemos dizer então que vivemos em uma ditadura do capital.

Pense: Será que todos vocês que lêem esse texto podem amanhã, exercendo a liberdade resolver ir para o Japão passar umas férias? Quantos não tem recursos?

Num contexto em que até mesmo os direitos básicos dos indivíduos enquanto cidadãos é desprezado a fim de que as grandes empresas capitalistas se reproduzam não podemos dizer que existe liberdade ou democracia.

Na verdade para as autoridades as necessidades básicas de um determinado grupo é diferente das de outro, o salário mínimo é um grande exemplo de tamanha atrocidade.

No sistema-mundo atual é uma grande piada falar em cidadania, liberdade e democracia.

Ora, fica a pergunta, quem verdadeiramente é livre se o homem de hoje vale o espaço que ocupa?

Na verdade o homem já nasce condenado, condenado a viver em sociedade e se enquadrar no contexto social no qual veio a existir nas relações perversas de trabalho, nas liberdades ou não liiberdades e nas diversas formas de ditadura.

É fato que todo sistema político tem seus problemas, seus defeitos e suas qualidades. Já que vivemos em um mundo amplamente anti-liberal e anti-democrático, que vivamos então em um contexto onde pelo menos as necessidades sociais enquanto cidadãos sejam supridas e as grandes desigualdades que privilegiam um determinado grupo sejam extintas ao máximo, somente assim poderemos viver em um mundo mais livre, mais cidadão e mais democrático.

Luciano Costa 21/05/2008