A existência inautêntica e os valores nos dias atuais.

Segundo historiadores, o comunismo primitivo foi a primeira formação social da história, os homens se reuniam em pequenos grupos e dividiam entre si os frutos e os animais encontrados, como instrumentos de trabalho eram utilizados restos de animais e rochas oferecidos pela natureza e posteriormente aprendeu à fabricar instrumentos de rochas e descobriu que batendo uma rocha em outra saiam lascas que poderiam ser utilizadas como objetos cortantes.

A partir da descoberta do fogo, tendo como matéria-prima ramos e folhas, o homem esteve mais seguro pois assim poderia afastar os animais ferozes e aquecerem-se nos dias frios, mais tarde, acontece a revolução neolítica onde o homem aprende a agricultura e não depende mais da coleta, mas passa a produzir seu próprio sustento, com essa fixação vem abrir caminho para a organização de estruturas sociais e políticas cada vez maiores e mais complexas, primeiramente, às margens de grandes rios.

A partir daí, várias foram as formas de organização social e relações com o meio.


No decorrer da história, com vários pontos favoráveis como a monetarização e o desenvolvimento do comércio e mais adiante com o intenso desenvolvimento das técnicas e a Revolução Industrial no século XVIII o Sistema Capitalista surge como um sistema de apropriação da mais-valia.

Nesse sistema havia uma distinção entre os burgueses e o proletariado sendo os donos dos meios de produção e os trabalhadores que vendem a sua força de trabalho, assim no século XIX e primeira metade do século XX ele se estrutura e consolida como sistema dominante frente ao socialismo que era um grande opositor.



No dias atuais, percebemos o massacre da chamada globalização e o consequente neoliberalismo que consiste em uma doutrina em que é pregada a liberdade de mercado, sem a intervenção do Estado, a privatização, onde o Estado passa a ser apenas um zelador, um criador de leis que raramente são cumpridas pela sociedade, não sendo dono da produção que se concentra nas mãos de poucos e muitos são “coisificados” e transformados em um mero objeto de trabalho.

O Estado, consequentemente, se transforma em um agente dos grupos hegemônicos e os reclames do capital são prioridade frente as necessidades sociais, muitas delas, básicas para a sobrevivência.



Para o desenvolvimento e manutenção desse novo sistema ainda mais perverso e excludente era necessário que o abismo em uma sociedade de classes se tornasse ainda maior entre os burgueses e os proletários, isso devido a necessária espoliação e produção de mais-valia para a manutenção de tal sistema, aumentando a riqueza de um pequeno grupo e excluindo a grande maioria da população mundial tal qual vemos hoje através das estatísticas.



Ao citarmos a história do homem “se-sendo” no mundo e as grandes transformações ocorridas no que se refere as relações sociais, podemos perceber que a existencialidade da humanidade, vivida em um determinado momento histórico, vai ser corrompida, desta forma, o “eu” é sacrificado a fim de que o “eles” possa dominar e oprimir, esse eles se trata de todos os traços de uma determinada sociedade, seja no consumo, nas relações pessoais, de trabalho, etc...



Com o desenvolvimento das técnicas, nos maravilhamos com tudo, muitos inventos são puro prazer de invenção, de vitória pela vitória, por que chegar a Marte? Será por medo de uma superpopulação na Terra? Porque a criação de tantas armas de destruição em massa, não é pela busca de domínio do espaço? Porque vemos uma carroça e imaginamos algo tão arcaico, sem pensarmos que ali consiste duas grandes descobertas como a roda e a ferradura? Ficamos indiferentes, passa a carroça e não vemos, isso acontece hoje diante do rádio, da Tv, e outras coisas que se tornaram banais demais diante dos inventos, não observamos nem mesmo os satélites e os equipamentos utilizados para se chegar a Lua, tudo muito rápido para a nossa percepção, nada muito distanciado no tempo geológico que é calculado em milhões de anos, porém, não vemos, assim como não vemos mais o homem.



A sociedade então, com toda essas mudanças, algo como um piscar de olhos no tempo geológico, vem sofrer o desvio de cada indivíduo de seu projeto essencial, em favor das preocupações cotidianas, que o distraem e perturbam, confundindo-o com a massa coletiva.

Hoje é possível se falar de uma cultura capitalista de consumo, de poder, nas relações de trabalho, na competitividade existente em todos os aspectos da vida cotidiana, na individualidade e na valorização do "eu" sobre os demais semelhantes ou sobre o espaço que grita por socorro nos dias atuais, diante das grandes catástrofes que presenciamos, entre diversos traços dessa cultura.

Os valores na sociedade moderna são a reprodução do inconsciente coletivo, que e criado desde o momento em que somos "jogados" no mundo, algo que não nos é colocado como escolha, somos então, seres que se projetam para fora de si mesmo, mas jamais podem sair das fronteiras do mundo em que se encontram submersos.

Na sociedade de diferentes, ha uma divisão clara entre os grupos hegemônicos e os grupos não hegemônicos ou excluidos do sistema, entre os opressores e os oprimidos, dominantes e dominados.

Os valores na sociedade moderna, então, são a expressão do domínio dos grupos hegemônicos sobre os dominados.

Numa sociedade onde o capital é o combustível da humanidade, ele é quem dita as regras de consumo, de organização social, cultura e vários outros aspectos da existência.

Não é a toa que valor da imagem e dos objetos são mais importantes do que os valores espirituais nos dias atuais, afinal, o que é que gira o mercado? Até mesmo os grupos religiosos incrementaram ao longo da história objetos aos seus cultos, todos com valor atribuido e como mercadoria.

Os valores dominantes, são portanto, particularistas e inautênticos, pois são valores da classe dominante, da minoria da sociedade e como ja foi dito, é manifestado em todas as esferas da vida social, no âmbito da ciência, da arte, da política, do cotidiano, dos objetos de uso pessoal, de utensílios domésticos. Eles dominam amplamente criam uma cultura asfixiante.

Muitos vivem alienados e nem sequer sabem porque vivem a buscar riquezas, porque vivem a competir, porque torcemos para determinados times de futebol, porque temos um sentimento patriota ou não o temos ou perdemos com o passar do tempo, porque nos vestimos de maneiras específicas, porque assistimos, lemos ou ouvimos programas espefíficos, porque dormimos e acordamos em determinados horários, porque trabalhamos e não recebemos um valor justo, porque acreditamos em determinadas fábulas, porque cremos e pertencemos a determinadas religiões, porque escolhemos determinadas esposas ou amigos, etc... Muitos vão nascer e vão morrer sem saber estas e outras coisas, infelizmente.

A mídia, ou 4º poder, como alguns autores a descrevem, é a grande arma dos grupos hegemônicos, visto que, através do capital eles a controlam.

Os valores autênticos e universais, são marginais, porém existem e não são fetichistas e desumanos como os valores dominantes.

Somente ao adquirir consciência disso, os indivíduos poderão avançar e superar os seus valores inautênticos e particularistas, assim, a consciência tem um papel importantíssimo na constituição de um mundo melhor e não fabuloso, frente ao sistema dominante existente.

É isso que justifica a criação de tal texto.

Luciano Costa