Sobre EaD e outras coisas...

Galera, fiz esse texto como atividade de um curso EaD que estou fazendo, na verdade ele não título em sua forma original, inventei para colocar aqui no blog. Espero que gostem.
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Em toda a história da humanidade, nos deparamos com a evolução das técnicas. A sociedade, vem buscar, de acordo com o seu tempo, diversas inovações úteis, sejam bens de consumo, medicamentos, novas tecnologias informacionais, etc...

No atual período histórico em que vivemos (Meio Técnico-Científico e Informacional), as mudanças acontecem tão rapidamente que muitas vezes não as percebemos ou passamos a dar pouca importância. Muitos até mesmo nem percebem todos os sistemas que estão ao seu redor.

A invenção da roda, a descoberta do fogo e das técnicas agropecuárias por exemplo, foram grandes descobertas que mudaram num certo período histórico, a cultura e o viver de um povo, porém, hoje, raramente são lembradas ou percebidas, são rudimentares demais para o nosso tempo em que acompanhamos grandes avanços na informação (Internet, Tv, etc..), aparelhos de última geração aplicados na produção industrial, armamentos bélicos de última geração, tecnologias de engenharia e prédios enormes, automóveis cada vez mais modernos e velozes, muitos até com pilotos automáticos e coisas semelhantes próprias do atual período histórico.

Todas as tecnologias que hoje desfrutamos, nem sempre tem um valor positivo para a sociedade é só perceber os efeitos da relação predatória do homem com o espaço geográfico, onde o mesmo, que num passado não distante era o seu amigo, agora se torna em muitas ocasiões, seu opositor, já que o tempo da natureza não acompanha o tempo social. Nunca em toda a história da humanidade se ouviu falar do fim dos recursos naturais como petróleo (principal fonte de energia da humanidade, onde as jazidas demoram vários milhões de anos para se formar), a escassez de água potável e a poluição crescente dos afluentes e efluentes e outros. Nunca se ouviu noticiar tanto sobre catástrofes naturais como aquecimento global, desmatamentos, enchentes, fome, milhares de mortes em guerras, miséria, doenças, etc...

Tudo isso que até aqui foi explicitado, nos remete a pensar até que ponto as tecnologias contribuem para o bem estar social. A poucos dias eu li um artigo em que falava justamente sobre isto, de que a humanidade evoluiu muito em termos tecnológicos, porém, em termos sociais, de valorização do ser humano, só veio a regredir, os pensadores e cientistas, deveriam antes de mais nada, pensar o valor social positivo de tudo o que inventam.

Nesta perspectiva, ao meu ver, deve ser a utilização dos recursos tecnológicos para fins de educação.
passado de geração para geração, através dos ensinamentos dos anciãos e algumas raras pinturas, assim, muito se perdia de uma cultura com o passar dos anos, porém, com o desenvolvimento da escrita, o arquivamento, a manutenção, o resgate, a difusão e os ensinamentos, começaram a se propagar de forma mais eficaz.

O apóstolo Paulo por exemplo, entre outros, foram grandes utilizadores da escrita e da educação a distância, através de suas famosas cartas, enviadas quando necessário para as igrejas que fundava em diversos lugares, assim, mesmo a distância, podia enviar orientações e ensinamentos importantes para todos.

Quem não se lembra dos famosos cursos por correspondência de décadas atrás e que ainda existem (apesar de ser algo relativamente recente, os mais jovens da era da internet não vão se lembrar) e outras formas de educar a distância, não muito usuais em nossos dias. Me lembro muito bem de quando eu era criança e a família se comunicava através de cartas, todos ficavam atentos aguardando as novidades que demoravam dias para chegar, hoje, basta um clique com o mouse e o teclado do computador para comunicar por e-mail ou sites de relacionamento e instantaneamente via telefone e por comunicadores on line onde conversamos com qualquer pessoa e em qualquer lugar, bastar ter um simples acesso discado.

Como eu já disse, tudo tem o seu lado bom e ruim, a banalização da comunicação também traz grandes prejuízos quando não utilizada de forma correta, apenas para fins fúteis, assim, se torna uma espécie de regressão para a sociedade, algo anti-educacional, já que além de não educar, toma um grande tempo da vida que poderia ser utilizado para este fim. Outro perigo, é reproduzir apenas os valores dominantes, sendo os usuários meros expectadores, formando assim uma geração de alienados.

O ensino a distância, ao meu ver, é uma forma de ensinar, não sendo dicotômica em relação ao ensino presencial, tendo os mesmos riscos de superficialidade e não-aprendizagem em ambas as formas.

Em ambos, deve-se, antes de mais nada, priorizar o diálogo, a troca de experiências de vida já adquiridas pelos participantes, o estímulo ao pensar e o desenvolvimento da capacidade de obter opinião própria dos discentes, senão, com certeza, continuaremos a praticar os velhos paradigmas pegagógicos, bem explicitados por Paulo Freire, onde o aluno é considerado um “banco de depósitos”, onde, meramente, os conteúdos são “depositados” pelo professor que mais tarde espera fazer um “saque”. Este modelo na verdade privilegia a memorização e não o aprendizado ou a educação ampla.

No caso específico da EaD, esta interatividade pode ser estimulada através de chat’s, fóruns, apoio do professor-tutor, propondo temas com uma conectividade e que podem ser desenvolvidos, numa troca primordial em que todos são beneficiados, o ambiente virtual, muitas vezes é uma ferramenta muito melhor para alguns alunos inibidos, pois eles “se soltam” muito mais do que em debates presenciais em sala de aula.

Ao meu ver, o ensino EaD, praticado de acordo com as possibilidades e recursos de determinada instituição, vem atender aos anseios da nova geração “técnica-ciêntífica”, e com certeza pode se tornar um estímulo aos estudos, algo que vai além do quadro negro e do giz em que muitas vezes se perdem. Entendo que assim como os exemplos de tecnologias antigas que já citei como a roda, o fogo e a agropecuária, o quadro negro tende a se tornar obsoleto. É bom lembrar que em nosso tempo, tudo muda muito rápido, daí, a importância da atualização dos docentes nesse sentido.

Luciano Costa