Alguns são mais iguais que outros.

Em artigo publicado na revista francesa Témoignage Chrétien, o sociólogo mineiro Herbert de Souza afirmou: " A modernidade produziu um mundo menor do que a humanidade." Nesse mundo menor, parece estar comprovada a desestruturação dos princípios oriundos da Revolução Francesa, centrados na liberdade, fraternidade e igualdade. Em detrimento a uma maioria de excluídos, formou-se um Estado burguês e liberal, garantia de uma ordem na qual alguns são mais iguais que outros.

Desde o "século das luzes", gerações sucessivas vêm debatendo no mundo inteiro a questão da democracia. Levou-se muito tempo para de concluir que a democracia está ligada à ética. Democracia não deve ser mais sinônimo de exclusão, corrupção e miséria, que é imoral. Talvez seja o maior crime que a sociedade possa praticar.

Liberdade, igualdade e fraternidade, para quem? A resposta pode ser encontrada nos quatro cantos do mundo. No Brasil encontram-se nos famintos e os indigentes, nas crianças abandonadas, nas mulheres discriminadas, nos índios, na exclusão social dos negros, enfim, em todas as pessoas que de algum modo foram colocadas à margem da sociedade.

Em 1789, quando os revolucionários franceses levantaram a bandeira tricolor simbolizando liberté, egalité, fraternité, em um dos maiores movimentos da história do ocidente, ninguém poderia imaginar que 200 anos mais tarde a humanidade assistiria apaticamente à fome e à violência racial em vastas regiões da África, ao neonazismo, aos conflitos étnicos na Europa, ao massacre dos sem-terra no Brasil e dos Palestinos em Gaza e a tantos outros genocídios que o homem vem cometendo contra o próprio homem.

Fonte: Livro "História das Cavernas ao Terceiro Milênio" com adaptações.